19 Set

Marcas vendem experiência!

Há mais de 10 anos ouvi falar que o varejo do século 21 seria uma experiência de compra. Naquela época, eu entendi, mas não sabia o quanto isso seria presente em nossa vida atual. Nos Estados Unidos já se percebia essa mudança com lojas conceituais. Depois de alguns anos, começaram por aqui os grandes eventos nacionais realizados por marcas superconhecidas que ganharam milhares de evangelizadores, apaixonados e loucos por suas marcas.

O mercado percebeu que os consumidores queriam que suas marcas preferidas oferecessem mais que produtos e serviços, pois qualquer sabão em pó poderia disponibilizar uma roupa branca; um creme dental, um dente protegido, e uma montadora, um carro em 60 vezes. A partir desse momento, elas passaram a sentir a necessidade de ser relevantes, de mostrar o seu conceito, de construir uma história com significados junto a seus clientes. Com isso, as indústrias deixaram de vender produtos para vender desejos, experiências, sonhos e necessidades. Mas por que essa mudança?

Quem não ouve pelo menos uma vez por semana que o ano está passando rápido ou que o dia deveria ter 30 horas? Isso acontece porque fazemos inúmeras atividades ao mesmo tempo. Desde criança, precisamos nos preparar para o mercado de trabalho e, com isso, o tempo e a vida social se tornam escassos. Os momentos vividos com a família, por mais curtos que sejam, precisam ser inesquecíveis. As compras precisam ser divertidas; os eventos, uma experiência, e o encontro com os amigos, uma festa.

Por outro lado, as empresas que desenvolvem produtos e serviços desdobram-se para chamar nossa atenção, porque tudo vira commodity rapidamente. Os custos das operações são cada vez mais elevados, e o lucro, cada vez menor. Com esse cenário, ou se escolhe brigar por preço ou prefere-se a diferenciação (oceano azul). Há muito tempo as grandes marcas sabem que não vendem mais produtos ou serviços. Afinal, eu e você queremos ser impactados e esperamos que nossas marcas favoritas nos façam sentir vivos e felizes! Não aceitamos mais o convencional, não aceitamos engolir qualquer produto ou serviço. Queremos o diferente, queremos o que nos dê orgulho, nos dê o sentimento de pertencer a uma tribo.

Neste cenário, em que os consumidores pedem mais do que produtos, as empresas buscam chamar a atenção de seus consumidores. O marketing de experiência surge para aproximar marcas e pessoas. Afinal, a experiência cria sentido, vínculo, relevância, oportunidade, mexe com os sentimentos, com os sentidos, e o resultado é percebido fazendo as pessoas pensarem, agirem, identificarem-se com a marca, aumentando as vendas, o desejo de consumo e o orgulho de possuir.

Enfim, viverá mais e melhor a empresa cujos gestores entenderem que não vendem mais produtos e nem serviços. Marcas fortes são aquelas que oferecem o que a maioria não sabe e não saberá fazer. É tão único e particular que não adianta só investir em máquinas e pessoas, mas, sim, quebrar pré-conceitos e entender de uma vez por todas que as pessoas compram EXPERIÊNCIAS!

Apenas para curiosidade:
– A Disney vende sonho – parque de diversões
– A Harley Davidson proporciona liberdade – moto
– A Coca-Cola abre a felicidade – bebida
– A Volvo oferece segurança – caminhão
– A Samsung, sonho – tecnologia
– Hollywood fabrica entretenimento – filme
– A Fisher Price ensina – brinquedos
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– Natura, bem estar – cosméticos